Ep. 8- Adolescente ou aborrecente?

Se você está aí, dou outro lado da tela é porque já foi adolescente. O Falatório não é coisa pra criança. Então, se lembra dessa fase? Era chato? Você se achava dono do mundo ou uma parte minúscula do universo?
Por que muitos chamam os adolescentes de aborrecentes? Isso sim é muuuuuito chato! Aborrecem por quê? Não sabem o que querem, cada hora uma coisa, passam de roqueiros hard core a sertanejos, de skatistas a adeptos da capoeira em dias, querem tocar guitarra, depois flauta, depois banjo… se acham heterossexuais, depois se descobrem homo e mais tarde bissexuais… gente doida!! Vou tentar explicar o porquê disso. Na verdade, passam por um processo mais intenso de definição de identidade.
Vamos lá!
Tem um autor, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Pedrinho Guareschi, que fala que a subjetividade é construída como uma colcha de retalhos, em que cada pedacinho dela representa uma relação, das milhares de relações que temos ao longo da vida. Obviamente que não basta encontrar ou conhecer alguém pra ter um retalho, é preciso que tenha sido uma relação mais significativa, que tenha deixado uma marca, uma impressão.
Eu sugiro pensarmos essa colcha como se fosse a identidade de uma pessoa. Assim, quanto mais velho mais retalhos a colcha tem, de diferentes cores, texturas, espessuras… Uma colha de criança ainda é pequena demais. A colcha do adolescente vai sendo costurada mais rápida, com mais retalhos e, ao longo dos anos, pode mudar substancialmente. A adolescência não demora meses, mas anos. A cada movimento do jovem de se ligar a um grupo, a uma iniciativa ele vai tentando tecer essa colcha, que vai se modificando rapidamente.
Um adulto de 50 anos, por exemplo, tem uma colcha bem maior, e cada retalho novo muda pouco da colcha como um todo, dá pra entender?
A identidade é o centro da personalidade. O adolescente está tentando se achar no mundo, definir-se como pessoal e segue experimentando… ele é muito cobrado em sua identidade sexual e na profissional, principalmente. Se a gente tentar lembrar de como esse período foi intenso e maluco pra gente, talvez ajude a ver esses jovens de outro jeito. Eles, mais do que ninguém, querem se encontrar, ficam tentando arduamente. Alguns de forma mais tranquila, outros mais conturbada, mas é o povo mais motivado, mais interessado, mais curioso e instável e assim tem que ser.
O que nos cabe como adultos acompanhando esse período é termos paciência e nos encantarmos com eles. Conheço a mãe de dois adolescentes que, toda vez que a encontro está reclamando deles. Não me lembro dela ter falado algo legal, construtivo. Mega reclamation!! Chatona!!!
Paciência chinesa é o que recomendo…É que hoje a gente tem uma pressa louca de saber tudo, de ter controle de tudo, de ter certezas… Doidera nossa, porque certeza é o que mais nos falta…
Bom, mas isso é papo pra outro Falatório!! Sua adolescência foi como? Conta pra gente numa das nossas redes sociais uma história interessante desse período!!

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