Ep. 14 – Vingança

Você lembra dessa frase: “Vossa Excelência desperta em mim os instintos mais primitivos”??. Ela foi dita pelo Roberto Jefferson em 2005, no processo de cassação do deputado José Dirceu até hoje me dá arrepios. Jeferson foi quem delatou o mensalão e por isso também foi preso.
A vingança é dos temas mais antigos da dramaturgia. É um clássico. Shakespeare a trabalhou muito. Na música popular temos letras fortes: “Enquanto houver força em meu peito eu não quero mais nada, que para todos os santos vingança, vingança clamar”, samba do Lupcínio Rodrigues.
Um sentimento muito forte despertado na maioria das vezes por enormes injustiças que ferem a alma, e a alma narcisicamente ferida procura vingança. Pessoas passam vidas seguindo um estratagema meticulosamente calculado para vingar-se.
Um tempo atrás ouvi um advogado, num encontro social contar que foi procurado por sócio que se sentiu profundamente traído pelo primo com quem dividia uma empresa. Ele queria entrar com ação, tomar a empresa para si, cobrar o prejuízo, tudo ao mesmo tempo. O advogado perguntou de cara: “Você quer se ver livre do sócio e dissolver a sociedade ou quer se vingar? São dois caminhos jurídicos totalmente diferentes!!” Ele disse que pessoas muitas vezes gastam fortunas para se vingar ao invés de seguir em frente.
Em separações de casais então, nem se fala. Quando um é traído, muitas vezes essa traição ascende um longo pavio que só acaba quando é todo queimado em uma vingança que reponha minimamente a autoestima do traído… coisa de louco. A pessoa torna-se capaz de coisas inimagináveis para que o outro sinta e mesma dor e humilhação.
A vingança é dura, áspera, ressentida, mórbida e gasta muita energia psíquica!! Às vezes sobra muito pouco para o resto da vida… a pessoa come mal, dorme mal, trabalha mal, fica só remoendo e maquinando consumida pelo ódio!! E aí que está o problema. As demais áreas da existência ficam negligenciadas. Uma só pessoa tem o poder de consumir boa parte da energia psíquica de outra, movida por esse sentimento fortíssimo!!
Então, amigo, amiga do Falatório, vamos para uma sessão de “Pensatório”. Se você se sente consumido pela raiva, provocada pela injustiça, pense que caminho quer tomar. Sei que às vezes a gente se sente sem escolha, completamente movido por essa força, mas como animais pensantes, devagarinho, aos poucos, talvez a gente ache umas frestas, uns lampejos de compreensão desse processo. E aí reunimos forças, pedimos ajuda e nos livramos desse peso enorme, como uma bola de ferro que se arrasta presa aos nossos pés e nos impede de seguir.
E aí, mais uma vez a arte nos salva. Assista ao filme argentino Relatos Selvagens. São seis histórias de vingança, uma melhor que a outra, com certa dose de humor!! Devo dizer que me senti aliviada ao final, principalmente naquela em que o personagem se vê vítima da burocracia administrativa da prefeitura que insistia em guinchar seu carro!!
Lembrou-se de algum caso de vingança? Conta para o Falatório! A realidade muitas vezes é mais criativa que a ficção!!

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