Falatório Ep. 17- É Homem ou Mulher?

Quando vemos um homem com roupa feminina ou vice e versa, tendemos a achar que são homossexuais. E sabemos que pode não ser verdade. Tem homens e mulheres gays que obedecem aos padrões estéticos tradicionais e os que não obedecem.
 
E mais importante: que diferença isso faz?
 
Você já cruzou com alguém na rua e ficou sem saber se era homem ou mulher? Isso é papo antigo…
 
Quando estive recentemente em Vancouver cruzei um casal de jovens abraçados que me causaram certo espanto. Não estavam cheios de tatuagens, piercings e cabelo colorido, mas pequenos detalhes estéticos me desnortearam. Esse papo de ser psicóloga faz com que a gente fique sempre viajando sobre o cotidiano…
 
Ela estava com aparência um pouco masculinizada, de bermudão e camiseta e ele também. Mas ele tinha as unhas da mão pintadas e gloss rosa nos lábios. Só isso. Nada exagerado… 
 
Já fiz um Falatório sobre sexualidade, não se trata de discutir gênero, mas de discutir estética de gênero. Há 40, 50 anos tínhamos referências do vestuário masculino e feminino, para o dia a dia ou eventos formais. Aos poucos, essas referências foram se dissolvendo, inicialmente com homens usando brincos e deixando cabelos compridos, as mulheres usando calças compridas e cabelos curtos. Hoje, acho que a última peça de roupa exclusivamente de um gênero, a saia para mulheres caiu por terra. Cada vez mais a peça é usada também por homens. Em Vancouver vimos rapazes de saia de babado!
 
Mas o que eu queria dizer é que isso tira da gente o estereótipo de masculino e feminino. Como todo estereótipo, ele nos alivia do problema de classificar o que vemos, porque coloca numa gaveta de algo já conhecido e gente se livra desse problema. Isso talvez explique a resistência de algumas pessoas à essa mistura estética de masculino e feminino, além do preconceito. Quando vemos um homem com roupa feminina ou vice e versa tendemos a achar que são homossexuais. E sabemos que pode não ser verdade. Temos homens e mulheres gays que obedecem aos padrões estéticos tradicionais e os que não obedecem… E mais importante, que diferença faz?
 
Esse momento de miscelânea estética, de total liberdade, quando a gente pode usar qualquer coisa é extremamente perturbador porque nos tira da zona de conforto, do que é classificável e nos joga num limbo, num vazio, experiência essa um tanto angustiante, né não?
Era bem mais fácil quando as regras eram claras… Agora além de eu ter todos os problemas da vida, conta para pagar, etc. tenho que entender que pessoa é essa na minha frente? Que saco!!! A gente não faz esse raciocínio, é algo inconsciente, mas que aparece como um incômodo, uma pentelhação. Qual a solução, já que a tendência é que tenhamos cada vez mais essa indefinição? Se joga!! Se você já quis usar algo fora do padrão, meio bizarro e não o faz por vergonha ou medo de críticas, comece a pensar em fazê-lo…. Solte suas asas, aproveite a onda, surfe nela!!! A liberdade estética é para todos!!

 

Publicado por

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.