Ep. 23- Terapia 2ª PARTE

Continuando o assunto da semana: o que é terapia, para que serve e quem deve fazer?

A 1ª parte pode ser conferida aqui: http://bit.ly/2eihov1

 

Uma questão recorrente está ligada a possibilidade de pessoas conhecidas do psicólogo fazerem terapia com ele. Falo por mim. Acho que há limites que devem ser estabelecidos por cada um, mas que são difíceis de determinar por uma regra única. Eu não atendo pessoas amigos ou familiares porque fica difícil pra mim. Exemplo prático explica melhor. Fui procurada por uma amiga da área de saúde que gosto muito, que me encaminha pacientes com certa regularidade, para atender um amigo dela. Como ela estava acostumada a encaminhar e sabia os limites, não me preocupei. Na primeira entrevista o rapaz falou bastante de sua história pessoal, de dificuldades num relacionamento amoroso que estava vivendo. Normal.
Na segunda entrevista ele falou o nome da namorada. Um nome comum, mas o mesmo da minha amiga. Uma luz amarela acendeu na minha cabeça e imediatamente perguntei se era minha amiga. Ele confirmou. Fiquei confusa, porque ela deveria saber que eu não atenderia, não entendi porque o fez. Depois entendi. Ela estava passando por um momento muito difícil de sua vida e nem lembrou disso. Na próxima entrevista expliquei que não poderia atendê-lo, que por gostar muito dela, a imparcialidade seria impossível!! Não conseguiria fingir que não sei quem ela é!! Não conseguiria esquecer referências dela!! Prefiro proteger o paciente da minha limitação e encaminhá-lo a um colega. Bons profissionais não faltam!! Foi o que fiz. Mas há casos discutíveis, como de ex-alunos, pessoas com as quais trabalhei num passado longínquo, etc. Se não houve maior proximidade ou intimidade é possível. Quando tenho dúvida prefiro não atender.
Pra finalizar, gostaria de falar sobre a utilidade da terapia. O processo de autoconhecimento deve proporcionar algum alívio do sofrimento, é uma sensação subjetiva de maior conforto ou menor desconforto consigo mesmo. Como dizia o maravilhoso psiquiatra Di Loreto, não se deve continuar tendo as mesmas queixas eternamente!! Problemas sempre teremos. Quem não tem problema não vive!! É inerente a dinâmica da existência. Ter saúde mental não é não ter problema, mas ter a capacidade de enfrentá-los, ter recursos e estratégias diferentes para as diferentes situações, ser capaz de comemorar, de celebrar e também de sofrer. Portanto, o processo de terapia deve ajudar a trocar os problemas, a ter outras queixas porque algumas delas forma ultrapassadas ou até mesmo porque perderam a importância.
E aí tanto faz a linha teórica. Há diversas linhas que explicam o funcionamento psíquico com suas respectivas técnicas de atendimento. Algumas pessoas preferem mais um tipo de trabalho psicoterápico que outro, mas desde que seja com profissional habilitado e responsável, não há linha teórica melhor que outra.
Por isso, procure referências. Não vá a um profissional de saúde sem uma recomendação. O Conselho de Psicologia existe para regulamentar e fiscalizar o exercício da profissão. No mínimo veja se tem CRP, número do Conselho Regional de Psicologia. E desconfie se prometerem resultados rápidos. Nessa área não há!!! Se pra aprender um esporte, instrumento ou língua estrangeira você demora, como não demoraria pra aprender sobre você mesmo?

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