Luto – Conviver com a falta

O luto é um processo psicológico natural, que envolve a assimilação de uma perda ou morte, real ou simbólica. Pode ser a perda de uma situação econômica, de uma relação amorosa ou mesmo o fim de um período como a adolescência ou de formação universitária. Todas essas situações envolvem um trabalho de luto.

Na morte de uma pessoa, faz muita diferença para o processo de luto a idade, o tipo de relação e a forma como a pessoa morreu. Quanto mais jovem, mais íntima e mais abrupta a perda, mais difícil é a assimilação da ausência repentina. Quando jovens morrem, parece uma injustiça, uma inversão do ciclo natural da vida, no qual os mais velhos deveriam deixar o mundo antes.

As mortes trágicas, como as que aconteceram pelo acidente aéreo que vitimou quase todo um time de futebol no seu auge, são como um soco no estômago, um tranco, uma enorme puxada de tapete… ficamos sem ar, atordoados, sem chão.

No luto, quem morreu carregou com ele um pouco de mim, e eu, que carrego um pouco dele em mim, morro também um tanto.

Não há o que falar ou fazer para impedir a dor imensa de quem perdeu pessoas próximas. Para atenuá-la, recomendo duas coisas:

1.Deixar que falem, chorem, gritem, cantem, expressem sua dor da forma que quiserem e conseguirem; hoje, amanhã, depois, o tempo que for necessário;

2.Procurar protegê-las da exposição apelativa, da invasão da intimidade, da curiosidade mórbida.
O luto consome uma energia psíquica colossal. Não sobram forças para quase nada, comer, trabalhar, pensar… tudo é muito custoso! Dá vontade de dormir e acordar um ano depois, quando o tempo poderá ter dado algum alívio…

Para quem tem uma religião ou crença espiritual, pode haver também conforto. A fé é uma força que tenta contribuir na compreensão e explicação de algo que parece incompreensível e inexplicável.
Nessas horas é inevitável que pensemos no sentido da vida, no que é essencial, no que é transitório, nos mistérios com os quais convivemos e na fragilidade da existência…

Aos que sobrevivem a essas intempéries é preciso força para resistir! O luto pode se tornar colorido novamente, mas é preciso espaço e tempo para que as cores ressurjam lentamente.

O fim do luto é a convivência mais pacífica com a falta, com a memória, com a história e com a capacidade de seguir em frente!!

Publicado por

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.